Comunidade
“Nós devemos em torno de R$ 120 milhões”, diz secretário da Fazenda
Uma única empresa deve assumir ônibus e aeromóvel por 30 anos. Em entrevista exclusiva para OT, secretário da Fazenda explica consulta para concessão
Por Bruno Lara
Uma única empresa deve assumir ônibus e aeromóvel por 30 anos
Até o dia 20 de dezembro a Prefeitura de Canoas pretende lançar edital para a concessão do transporte público da cidade. A proposta está em consulta pública e prevê uma permissão de 30 anos para a empresa que vencer a corrida. Na manhã da terça-feira, 8, OT ouviu o secretário municipal da Fazenda, Marcos Bósio, em uma entrevista exclusiva ao vivo em sua webrádio e, simultaneamente, em sua página no Facebook.
VÍDEO:
No entendimento de Bósio, o aeromóvel é uma proposta benéfica e que muda a forma de a população se transportar na cidade. “Nós temos que entender a lógica do projeto do aeromóvel. Ele não é uma obra pública. Ele está sendo construído como uma concessão do poder público para o privado, que será remunerado pela tarifa”, afirma.
Questionado se o governo pagaria pelo investimento, se confunde. Primeiro nega, depois assume um aporte. “Não, o governo não paga. O passageiro paga para a empresa, como é hoje. Hoje, por exemplo, no sistema de transporte público do município, o passageiro compra a tarifa do TEU, que na realidade é a Sogal ou a Vicasa, e ela se remunera com os serviços prestados. No sistema que nós estamos desenhando é rigorosamente o mesmo. Temos duas diferenças importantes. A primeira é que, em função das características do sistema, para poder viabilizar esse salto de qualidade, a Prefeitura está entrando com aproximadamente 24% do investimento”, informa.
Ele é enfático ao dizer que “a Prefeitura está pagando. E esse é um financiamento de R$ 272 milhões que nós contratamos junto a Caixa Econômica Federal e que será pago ao longo de 30 anos. Isso constitui uma despesa do município. Esse é o valor que é dos cofres públicos. O restante é uma engenharia financeira que nós construímos e está bem detalhado na consulta pública, são muitos anexos, mas é exatamente porque o ente privado complementa a instalação do sistema, que são 18 quilômetros, e ele opera por 30 anos pela tarifa vigente”, explica. A justificativa é que, se o projeto sair, o custo de manutenção de paradas e vias será totalmente da concessionária.
“Transporte público é um monopólio natural por definição”
Segundo o chefe da Fazenda, ter uma única empresa é a melhor saída. “Transporte público é um monopólio natural por definição. Se você cria concorrência, você cria o caos. Porque daí os ônibus começam a andar ociosos e aí aumenta o custo geral do sistema”, argumenta. “No eixo troncal será o aeromóvel. Todas as linhas de ônibus existentes ou remanescentes, que vão diminuir muitas, elas alimentarão o aeromovel”, justifica.
Para Marcos, é necessário fazer um edital já com todo o sistema e não apenas com a primeira parte. “O edital é para o sistema. Não faz muito sentido você ter só 4,5 quilômetros fazendo por partes. Ele já foi pensado para entrar em funcionamento conjuntamente. Porque daí, quando entra o sistema todo, o aeromóvel racionaliza muito custo. Vou te dar um exemplo. O custo por passageiro por viagem hoje, o óleo diesel está na faixa de R$ 0,60. O custo de energia elétrica por passageiro transportado no aeromóvel vai ficar de R$ 0,06 a R$ 0,8”, exemplifica lembrando que o edital fixa como valor da tarifa a atual para ônibus urbano, sendo que reajustada todo o ano com base no IPCA.
O projeto reduziria, segundo o secretário, o gasto com paradas e estradas. “Nós gastamos hoje, com a secretaria de obras, em torno de uns R$ 3 milhões por mês”, revela. “Esse custo que hoje o município tem com a manutenção de vias, paradas, que vão ser as estações no aeromóvel, passa para a concessionária”, aponta lembrando que a conclusão ficará para a gestão do prefeito eleito Luiz Carlos Busato (PTB), que na campanha se manifestou contrário ao projeto.
“Eu acho que é possível seguir mantendo o barco andando”
Na avaliação do atual secretário, o novo governo, que assume no dia 1º de janeiro, vai enfrentar problemas financeiros. “Eu acho que é possível seguir mantendo o barco andando desde que se mantenha, obviamente, a estrutura profissionalizada que existe hoje. Hoje o funcionamento da secretaria depende muito mais dos seus diretores, dos seus gestores, que são todos servidores de carreira do que do secretário”, garante em tom orgulhoso.
Ele acredita que a situação em que encontrou as contas da cidade em 2009 eram piores. “Hoje, em relação a fornecedores com mais de 30 dias em atraso, em aberto, nós devemos tem em torno de R$ 120 milhões. Claro que, quando você compara 2008 a receita foi de R$ 440 milhões e esse ano vai fechar em torno R$ 1,2 bilhão. Então, essas grandezas elas tem essa comparação”, pontua, lembrando que existia um passivo de aproximadamente R$ 175 mil nos cofres públicos.
A sua aposta é que atualmente o processo é organizado. “O município não tem processos em papel, são processos eletrônicos. Nós temos uma estrutura de informática mais robusta. Os sistemas melhoraram muito. Então a gente consegue ter posições em tempo real”, garante, embora admita atrasos. “Nós não temos atraso de salários, mas nós temos atrasos com os fornecedores”, lamenta.
Comunidade
Sorteio do Minha Casa, Minha Vida contempla 250 famílias. Confira lista.

Foto: Jhennifer Wolleng
Com transmissão ao vivo pela internet, a Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, realizou nesta quarta-feira (16) o sorteio do programa Minha Casa, Minha Vida. No auditório Sady Schivitz, na sede da Prefeitura, foram contempladas 250 famílias, que irão morar nos Residenciais Pistoia e Santa Fé, no bairro Rio Branco. Também foram sorteados os candidatos suplentes.
Os dois complexos habitacionais estão em fase de construção, com previsão de entrega dos imóveis para setembro deste ano. Antes de ocupar o imóvel em definitivo, os contemplados passarão pelo processo de análise documental na Caixa Econômica Federal e pelo trabalho técnico-social da Prefeitura, que promove um processo de adaptação das famílias à nova moradia.
Confira aqui a lista dos sorteados
Ao todo, os Residenciais Pistoia e Santa Fé oferecem 500 unidades habitacionais. A outra metade das famílias que irá morar no local será reassentada, já que ocupavam anteriormente invasões que foram alvo de reintegração de posse pelo município.
Nesta quarta-feira, participaram do sorteio os cidadãos que realizaram o recadastramento. Enquadram-se nos critérios nacionais famílias residentes em áreas de risco, insalubres ou que tenham sido desabrigadas, comprovado por declaração do ente público; famílias com mulheres responsáveis pela unidade familiar, comprovado por autodeclaração; e famílias das quais faça(m) parte pessoa(s) com deficiência, comprovado com a apresentação de atestado médico.
Comunidade
Assembleia de Deus comemora 80 anos de fundação em Canoas
A igreja Assembleia de Deus, de Canoas, comemora uma marco importante na cidade. O Jubileu de Carvalho da entidade ocorre nesta sexta-feira, 18 de agosto, e terá programação intensa de comemorações. O pastor Edegar Machado, líder da igreja no município há mais de 30 anos, recebeu a reportagem de O Timoneiro para falar acerca da programação das celebrações e sobre a atuação na cidade.
Tamanho
A importância da Assembleia de Deus, de Canoas, é contada também em números. A instituição, de acordo com Edegar, abrange atualmente 16 mil membros e conta com 88 igrejas na cidade. “A igreja se expandiu através do trabalho missionário e atua em diversos ponto do mundo”, conta Edegar.
Visão Social
O pastor destaca a visão social da instituição: “Não temos somente o trabalho espiritual, mas cuidamos do lado social. Eu considero isso como a outra mão da igreja. Nós temos o lado humano, que é alcançar as pessoas em suas necessidades”, comenta. O trabalho realizado abrange especialmente o cuidado de crianças. Edegar ainda citou projetos como escolas artesanais, que ajudam no desenvolvimento de trabalhos comunitários, além de postos de distribuição de sopa vinculados à Associação Beneficente Lar Esperança de Canoas , onde são atendidas cerca de mil crianças por semana.
Programação
A igreja promove cultos de celebração na sexta-feira, 19, até domingo, 20, no templo central da Assembleia de Deus, no bairro Mathias Velho. No domingo, a partir das 9 horas, ocorre concentração na praça Antonio Beló, na Rua Dr. Barcelos, onde será inaugurado um monumento em homenagem aos 80 anos da igreja. Após, são esperadas quatro mil pessoas para uma caminhada até o templo central da instituição, onde ocorrerá culto de graças.
História
Por determinação do pastorado da Igreja em Porto Alegre, o evangelista Amaro dos Santos foi designado, em 1937, para cuidar do trabalho da instituição em Canoas. Os primeiros cultos ocorreram no bairro Niterói. Ficou marcado na história da igreja um grande culto, realizado junto a uma figueira localizada nas proximidades da casa de André Lemos, em 18 de agosto de 1937. O local permanece com a figueira até hoje e, por conta disso, foi escolhido como local para a homenagem aos 80 anos da instituição.
Comunidade
Canoense tem 94 anos de futebol, mídia, direção e simplicidade
Marcelo Grisa
Hélio Ferreira da Silva nasceu em 1º de outubro de 1923. Filho de empregados na fazenda do estancieiro Victor Barreto, o motorista aposentado viu a história do século XX como poucos canoenses puderam. Hélio hoje mora com os sobrinhos Júlio Ragazzon e Raquel Araújo. E esta é sua história.
O futebol e a guerra
No começo de 1932, Hélio observava o nascimento do Sport Club Oriente, um dos mais tradicionais de Canoas. Alguns anos depois, jogou no time e virou craque. Como atacante central, marcava muitos gols.
A incipiente trajetória de Hélio Ferreira no futebol incluiu passagens pelo Canoense e até mesmo no Grêmio. Entretanto, uma grave lesão o afastou em definitivo dos gramados. Uma “pisada” deixou como lembrança um esmagamento logo acima do joelho. “Eu até poderia jogar, mas nunca mais fui. Deu muito medo”, explica.
“Às vezes eu ainda sonho com as mulheres da arquibancada me chamando. Parece que me vejo jogando de novo”, admite. Mas a vida ainda tinha reservado muito mais para o canoense de fala fácil e sorriso alegre.
Nesta época, o canoense já estava na Aeronáutica. Começava a Segunda Guerra Mundial, e todos no quartel ficavam de prontidão, recebendo apenas um dia de folga por semana. “Eu ficava em casa de farda. Se a sirene tocasse, tínhamos meia hora para nos apresentar”, lembra.
Hélio Ferreira da Silva, entretanto, nunca veria os fronts da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália. Há poucos dias de ser embarcado para o campo de batalha, chegava o mês setembro de 1945. A guerra acaba.
Hélio “Caldas” e Ernesto Geisel
Mesmo antes, durante e depois da guerra, a vivência nas Forças Armadas proporcionou o que seria uma de suas maiores paixões: os carros. Depois de sete anos, saiu da Aeronáutica e tornou-se motorista particular. Acabou por trabalhar 40 anos de sua vida para a Companhia Jornalística Caldas Júnior, dona do jornal Correio do Povo, como motorista da família de Breno Caldas. Por muito tempo, sua família morou na propriedade da família Caldas no bairro Belém Novo, em Porto Alegre.
Recentemente, Hélio visitou os netos de Breno, que o chamaram de “Hélio Caldas”, tamanha fora sua contribuição para a família.
Mas as mais histórias das quais Hélio mais se lembra são aquelas que envolviam os governos da ditadura militar. Primeiro, quando o golpe era dado, em 1º de abril de 1964, Breno Caldas pediu ao motorista que buscasse suas filhas na Rua Coronel Bordini, no bairro Auxiliadora, e as trouxesse ao Belém Novo. Recebeu uma arma, e deveria impedir, depois de todos em casa, que qualquer um entrasse na propriedade. Tendo que lidar com militares às portas do terreno, Hélio deixou-os entrar, mas cuidou cada movimento deles. Depois de uma medição no terreno – o que acontecia no local com frequência – eles foram embora sem maiores percalços.
Em outra oportunidade, em razão do aniversário de Breno Caldas, o presidente Ernesto Geisel, também gaúcho, veio até a fazenda para parabenizá-lo. Hélio teve que esconder um papagaio, que era ilegal, da vista do mandatário. Como um dos genros do patrão acabou por entregar a existência da ave, Geisel exigiu vê-la.
O que se sucedeu, entretanto, tranquilizou a todos. Ao ver o papagaio, que havia sido ensinado a falar muitos palavrões, o presidente desatou-se a rir mesmo sendo xingado pelo bicho.
Cuidado com o caminhão
Ao aposentar-se, Breno Caldas queria que Hélio continuasse trabalhando para ele, mesmo que não mais tendo carteira assinada por sua companhia. Não era bem sua ideia: eram os anos finais da Caldas Júnior antes de sua venda, e o motorista tinha o sonho de ter um caminhão e trabalhar com entregas.
Acabou recebendo a chave de um veículo à sua escolha entre 18 que estavam na garagem da propriedade, escondidos dos credores. “Breno puxou um bolo de chaves do bolso e disse: ‘Escolhe uma. Pode pegar.’ Mais tarde fui lá e escolhi um caminhão.”
Graças à rápida passagem da titularidade dos documentos, Hélio pode ficar com o veículo até poucos anos atrás, quando parou de dirigir. “Não quero me gabar, mas nunca causei nenhum acidente. Com a idade, preferi pedir para o Júlio aqui me levar nos lugares. Não é agora que eu vou ter um solavanco e acabar machucando alguém”, preocupa-se.
-
Destaques9 anos ago
Ação multa motoristas por prática de rachas na Avenida Inconfidência
-
Destaques10 anos agoConfira as seções eleitorais de Canoas e Nova Santa Rita
-
Business6 anos agoTabela de Horários e Itinerários do Sistema de Transporte Público Municipal
-
Destaques8 anos agoEndereços das seções eleitorais de Canoas e Nova Santa Rita
-
Destaques9 anos ago
Verão Canoas com Art promove oficinas e espetáculo gratuitos
-
Política7 anos agoEmpresário Marcos Daniel Ramos assume Secretaria de Serviços Urbanos de Canoas
-
Comunidade11 anos ago
Condomínio construído em área de risco que pertence ao programa Minha Casa, Minha Vida
-
Geral7 anos agoIgreja Universal promove evento Agente da Comunidade


You must be logged in to post a comment Login