{"id":7780,"date":"2017-06-09T10:09:38","date_gmt":"2017-06-09T13:09:38","guid":{"rendered":"http:\/\/otimoneiro.com.br\/?p=7780"},"modified":"2017-06-09T10:09:38","modified_gmt":"2017-06-09T13:09:38","slug":"historias-cruzadas-mulher-assassinada-era-culpada-ou-inocente-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/2017\/06\/09\/historias-cruzadas-mulher-assassinada-era-culpada-ou-inocente-2\/","title":{"rendered":"HIST\u00d3RIAS CRUZADAS: A mulher assassinada era culpada ou inocente?"},"content":{"rendered":"<h3>Cap\u00edtulo 9 (Continua\u00e7\u00e3o):<br \/>\npor Alexandre Derlam<\/h3>\n<p>Os dois ficaram se encarando. Nenhuma palavra. Nenhuma rea\u00e7\u00e3o. Apenas um sil\u00eancio mordaz.<br \/>\n&#8211; Que tal um trago? Disse Lucas.<br \/>\nO velho Ant\u00f4nio permaneceu quieto e im\u00f3vel.<br \/>\n&#8211; Porque n\u00e3o? Que mal um trago pode fazer a um velho e seus malditos dias contados. N\u00e3o \u00e9 mesmo? Pensou Ant\u00f4nio.<br \/>\nEntraram a passos largos no bar do Gordo. Aquela espelunca entre a Rua J\u00falio de Castilhos e a Bag\u00e9, no Bairro Niter\u00f3i. Os frequentadores eram os mesmos de sempre. Dois velhos tomando seus martelinhos. Uma trans que fazia ponto ali perto e que nunca levava desaforo para casa. Duas mulheres negras que n\u00e3o paravam de falar. A mulher do gordo na cozinha em meio aos hamb\u00fargueres e past\u00e9is.<br \/>\n&#8211; Preciso ir no banheiro. Disse Ant\u00f4nio.<br \/>\nO velho nem sentou na cadeira fria, nem tomou um gole daquela cerveja barata e j\u00e1 estava ao lado da tampa do vaso. A cabe\u00e7a n\u00e3o parava de lembrar coisas que ele pensava ter esquecido para sempre. Por que eu estou aqui? Por que eu vou perder o meu tempo com este pulha? E este fedor. Que estou fazendo? Da min\u00fascula janelinha \u00famida sentiu um cheiro forte de \u201cmijo\u201d de gato. Sentiu n\u00e1useas. Aguentou no osso.<br \/>\n&#8211; O que vai ser? Perguntou o gordo co\u00e7ando a barba. Estava suado. Sempre estava suado.<br \/>\n&#8211; Lucas, eu gosto de&#8230; Antes que Ant\u00f4nio conclu\u00edsse a fala, Lucas interrompeu:<br \/>\n&#8211; Traz uma cerveja bem gelada a\u00ed mestre. E uns destes teus past\u00e9is. Traz mostarda tamb\u00e9m. \u00c9 isso.<br \/>\nO Gordo acenou positivamente com a cabe\u00e7a. Deu de ombros e saiu caminhando com uma certa dificuldade e pregui\u00e7a.<br \/>\n&#8211; Humm, olha aquela criatura. No meu tempo&#8230; eu n\u00e3o sei.. Isso n\u00e3o se criava, sabe. Mas t\u00e1 tudo mudando hoje em dia. Disse Ant\u00f4nio despistando o clima hostil. Dividindo o tempo, encarando a trans e encarando Lucas.<br \/>\n&#8211; Sei&#8230; sei&#8230; Sabe, vou te dizer uma coisa. Eu ainda lembro muita coisa do teu tempo. D\u00e1 pra acreditar? Voc\u00ea gostava de caipirinhas. \u00c9&#8230; eu me lembro. Samba quente era assim o nome deles, n\u00e9? O conjunto musical. Os teus amigos. Voc\u00ea lembra?<br \/>\nAnt\u00f4nio olhou diretamente nos seu olhos. Acenou positivo com a cabe\u00e7a.<br \/>\nLucas respirou fundo. Se aproximou colocando os dois bra\u00e7os na mesa.<br \/>\n&#8211; Ent\u00e3o vamos falar de passado? Ou vamos ficar aqui discutindo os tempos atuais?<br \/>\nO Gordo se aproximou com a cerveja e os past\u00e9is. L\u00e1 fora, a sirene de uma viatura da brigada quebrou a concentra\u00e7\u00e3o de Lucas.<br \/>\n&#8211; Minha vez.<br \/>\nLucas levantou-se e seguiu na dire\u00e7\u00e3o do banheiro. O velho permaneceu quieto observando o gordo servir a cerveja nos copos gelados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cap\u00edtulo 9 (Continua\u00e7\u00e3o): por Alexandre Derlam Os dois ficaram se encarando. Nenhuma palavra. Nenhuma rea\u00e7\u00e3o. Apenas um sil\u00eancio mordaz. &#8211; Que tal um trago? Disse Lucas. O velho Ant\u00f4nio permaneceu quieto e im\u00f3vel. &#8211; Porque n\u00e3o? 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