{"id":7214,"date":"2017-04-28T10:22:11","date_gmt":"2017-04-28T13:22:11","guid":{"rendered":"http:\/\/otimoneiro.com.br\/?p=7214"},"modified":"2017-04-28T10:22:11","modified_gmt":"2017-04-28T13:22:11","slug":"opiniao-so-correr-rogerio-ceratti","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/2017\/04\/28\/opiniao-so-correr-rogerio-ceratti\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: So.correr &#8211; Rog\u00e9rio Ceratti"},"content":{"rendered":"<h2>So.correr<\/h2>\n<h3>Rog\u00e9rio Ceratti*<\/h3>\n<p>N\u00e3o lembro exatamente a data, acho que quando rec\u00e9m tinha feito minha carteira de motorista, tive meu primeiro carro, um fusca cor bege. Ele n\u00e3o era apenas meu, era praticamente um patrim\u00f4nio da fam\u00edlia, pois minha av\u00f3 comprou do meu tio, depois passou para minha m\u00e3e, depois eu usava, depois foi para a minha tia e, ap\u00f3s, meu primo. Hoje nem sei com qual parente est\u00e1.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, as preocupa\u00e7\u00f5es e os problemas n\u00e3o causavam transtorno algum. Tudo era motivo de festa. At\u00e9 estragar o carro se tornava interessante e \u00e9 exatamente isso que me faz lembrar um epis\u00f3dio. Estava eu, vindo de algum lugar ou deixando algu\u00e9m no trem (me esforcei, mas n\u00e3o recordo), e quando entrei no fusca novamente (estacionado na Coronel Vicente, pr\u00f3ximo da esta\u00e7\u00e3o de trem), come\u00e7ou a pen\u00faria de tentar ir para casa de carro. Tentei de tudo, mas nada fazia o coitadinho ligar. No mesmo momento comecei a falar com algum amigo pelo telefone, que me disse que iria l\u00e1 me socorrer. Tr\u00eas apareceram.<\/p>\n<p>Abriam cap\u00f4, \u201cbatiam\u201d igni\u00e7\u00e3o. Tentaram tudo que podiam, mas nada solucionava a situa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 que um indagou: \u201cvamos empurrar?\u201d. Para constar, eu resido no bairro Nossa Senhora das Gra\u00e7as, do outro lado dos trilhos do trem. Eu disse: \u201cn\u00e3o, \u00e9 longe\u201d. Afinal, eu j\u00e1 havia deixado o carro diversas vezes parado por alguma rua da cidade, depois voltava para buscar. Mas insistiram e eu cedi. Come\u00e7amos n\u00f3s quatro a empurrar o \u201ccascudo\u201d. Ele era leve, mas afinal se tratava de uma descida, ent\u00e3o todo santo ajuda. Dobramos pela Rua Doutor Barcelos, paramos para comprar umas latas de cerveja, sempre empurrando, conversando, rindo. Quando est\u00e1vamos passando pelo Condom\u00ednio Las Brisas, encontramos mais um amigo, que tamb\u00e9m aderiu ao esfor\u00e7o. Um deles at\u00e9 perdeu o chinelo no caminho ao atravessar correndo a rua. At\u00e9 que chegamos ao \u201cviaduto da metrovel\u201d ou cautol, para os mais antigos. Aos novos nem da metrovel \u00e9 mais. Bom, se j\u00e1 t\u00ednhamos ido at\u00e9 ali, o que seria subir um viaduto?<\/p>\n<p>Come\u00e7amos a correr, empurrar at\u00e9 o topo, quando l\u00e1 em cima pensamos: \u201ce agora? Como faremos?\u201d. Ele n\u00e3o funcionava e o freio de m\u00e3o n\u00e3o era bom o suficiente para andar com ele desligado. Um dos cinco pensou: \u201ceu tenho a solu\u00e7\u00e3o!\u201d. Imagine qual seria. E l\u00e1 foi ele \u201csegurar o tr\u00e2nsito\u201d para o fusca descer e passar pela Guilherme Schell, entrar na Inconfid\u00eancia e dobrar na Rua Humait\u00e1. Este \u201csegurar o tr\u00e2nsito\u201d seria apenas para que pud\u00e9ssemos atravessar at\u00e9 o outro lado, apenas isto, nada mais. Como quem diz: \u201ccara, \u00e9 s\u00f3 parar o tr\u00e2nsito\u201d. Quando come\u00e7ou o carro a correr na \u201cbanguela\u201d, sem freio, apenas o de m\u00e3o, descendo pelo viaduto, outro j\u00e1 estava posicionado abaixo da sinaleira, caso precisasse parar o tr\u00e2nsito. Mas o sinal \u201cfechou\u201dexatamente quando o fusca passou por baixo da sinaleira. Muita sorte. Naquele momento, quando hav\u00edamos chegado a Rua Humait\u00e1, a dist\u00e2ncia at\u00e9 a minha casa era pouca, umas tr\u00eas quadras. Paramos de correr. \u00cdamos caminhando, rindo do que tinha acontecido e de quem teve a ideia de fazer isso.<\/p>\n<p>Chegamos em casa e o fusca ficou na garagem por alguns dias. Hoje, n\u00e3o est\u00e1 mais comigo. Mas, os amigos que empurraram o carro permanecem. Nada me faz esquecer aquele dia que meus amigos me ajudaram. Estenderam o bra\u00e7o. Fizeram esfor\u00e7o em conjunto. Eu n\u00e3o pedi para eles, eles que se ofereceram. Jamais pediria para que me ajudassem levar o carro a uma dist\u00e2ncia t\u00e3o grande. Ainda mais para subir um viaduto. Quando nos deparamos com problemas dif\u00edceis e amigos estendem a m\u00e3o, tudo fica mais f\u00e1cil. A sociedade precisa mais disso, de solidariedade, de fraternidade. De pessoas pensando no outro. A satisfa\u00e7\u00e3o de saber que temos a capacidade de ajudar o pr\u00f3ximo \u00e9 impag\u00e1vel, imensur\u00e1vel. Divido esse epis\u00f3dio para demonstrar a gratid\u00e3o que tive, e sempre terei com esses amigos. Mais do que terem me ajudado a levar meu carro pra casa, esse fato me instiga a ter esperan\u00e7a que o ser humano tem solu\u00e7\u00e3o, que a humanidade n\u00e3o est\u00e1 perdida e que s\u00f3 depende de n\u00f3s acharmos ela. Sempre, dentro de si.<\/p>\n<h3>*Advogado e Escotista<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>So.correr Rog\u00e9rio Ceratti* N\u00e3o lembro exatamente a data, acho que quando rec\u00e9m tinha feito minha carteira de motorista, tive meu primeiro carro, um fusca cor bege. 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