{"id":6905,"date":"2017-03-31T13:46:37","date_gmt":"2017-03-31T16:46:37","guid":{"rendered":"http:\/\/otimoneiro.com.br\/?p=6905"},"modified":"2017-03-31T13:46:37","modified_gmt":"2017-03-31T16:46:37","slug":"historias-cruzadas-mulher-assassinada-era-inocente-ou-culpada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/2017\/03\/31\/historias-cruzadas-mulher-assassinada-era-inocente-ou-culpada\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias Cruzadas: A mulher assassinada era inocente ou culpada?"},"content":{"rendered":"<h5>A cada semana uma pessoa segue a hist\u00f3ria do ponto onde a anterior parou. Os autores n\u00e3o tem controle sobre os pr\u00f3ximos cap\u00edtulos e o que ser\u00e1 feito a partir do gancho que deixam ao final de cada um.<\/h5>\n<p><a href=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/foto-folhetim.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6906\" src=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/foto-folhetim.jpg\" alt=\"foto folhetim\" width=\"984\" height=\"300\" \/><\/a>A janela denunciava a intimidade do casal vizinho. Ele n\u00e3o era xereta, n\u00e3o se metia na vida alheia, mas aquela janela o informava, at\u00e9 quando fechada, de manh\u00e3; o aroma denunciava que eles tomavam caf\u00e9. Se fechada \u00e0s pressas, era que eles j\u00e1 haviam sa\u00eddo ou estavam saindo. \u00c0 noite, tamb\u00e9m fechada, anunciava que eles ainda n\u00e3o haviam voltado, ou estavam no dormit\u00f3rio. No seu abre-fecha cont\u00ednuo, a janela revelava muito da vida do casal. \u00c0 tardinha, que eles estavam voltando do trabalho. De novo \u00e0s escuras, que eles se preparavam para o jantar. Acesa de novo, que eles jantavam.<\/p>\n<p>Ele vivia sozinho na avenida Boqueir\u00e3o, em Canoas. Sua mulher morrera, n\u00e3o queria outra, que nenhuma seria como ela. Sem amigos, era um emparedado, s\u00f3 tinha alguma rela\u00e7\u00e3o com outros atrav\u00e9s das janelas, aquela e as duas que davam para a rua.<\/p>\n<p>A janela, \u00e0s vezes, estava aberta, mas as l\u00e2mpadas apagadas. Outras vezes, por uma fresta da janela fechada ele via luz de l\u00e2mpadas. E o tempo passava. (Ou somos n\u00f3s que passamos? \u2013 se perguntava). A janela-rel\u00f3gio marcando o tempo de vida do casal, amenizando a solid\u00e3o que pesava sobre ele.<br \/>\nOntem, a janela ficou fechada. Viajaram? Hoje, at\u00e9 esta hora, metade da tarde, na mesma. Ficou acordado, vigiando, at\u00e9 tarde da noite. Cansado, adormeceu.<\/p>\n<p>(Ela dormia, um seio branco se destacava sobre o len\u00e7ol rosa. Ele beijou a boca que lhe era negada e, com seu travesseiro, a sufocou. Os bra\u00e7os, que n\u00e3o usava para abra\u00e7\u00e1-lo, penderam inertes ap\u00f3s o esfor\u00e7o para afast\u00e1-lo. Morta, estava vingado da trai\u00e7\u00e3o. Ela pensava que ele n\u00e3o sabia? Dentista, cabeleireira etc, pretextos aceitos at\u00e9 quando a desconfian\u00e7a o levou \u00e0 descoberta. Agora, se existe o outro mundo, ela curtiria o arrependimento. Mas, ele, o qu\u00ea fazer agora? Girou, mosca tonta, apertando a cabe\u00e7a com as duas m\u00e3os e sentou na cama a chorar enquanto contemplava aquele corpo que, in\u00fameras vezes, n\u00e3o pudera acariciar. Foi \u00e0 cozinha, fitou as facas afiadas, voltou a contempl\u00e1-la, chorou novamente.<\/p>\n<p>Pareceu refletir e correu \u00e0 porta da frente, que bateu com for\u00e7a ao sair).<br \/>\nO barulho da porta o acordou e ele foi ver se algu\u00e9m chegava. Era a empregada do casal.<br \/>\n\u2013 Vizinho, o senhor me alcan\u00e7a a escova que deixei cair no seu p\u00e1tio? Meus patr\u00f5es voltam da viagem, hoje de tarde, e tenho de entregar tudo limpo, arrumadinho, o senhor sabe como \u00e9&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada semana uma pessoa segue a hist\u00f3ria do ponto onde a anterior parou. Os autores n\u00e3o tem controle sobre os pr\u00f3ximos cap\u00edtulos e o que ser\u00e1 feito a partir do gancho que deixam ao final de cada um. A janela denunciava a intimidade do casal vizinho. 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