{"id":4964,"date":"2016-09-02T10:47:13","date_gmt":"2016-09-02T13:47:13","guid":{"rendered":"http:\/\/otimoneiro.com.br\/?p=4964"},"modified":"2016-09-02T10:47:13","modified_gmt":"2016-09-02T13:47:13","slug":"compartilhando-amor-reciclando-vidas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/2016\/09\/02\/compartilhando-amor-reciclando-vidas\/","title":{"rendered":"Compartilhando Amor, Reciclando Vidas!"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_4963\" style=\"width: 625px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Cooarlas-Guajuviras-1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4963\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4963\" src=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Cooarlas-Guajuviras-1-1024x683.jpg\" alt=\"Cooarlas Guajuviras. Foto: Vanderlei Dutra\/OT\" width=\"615\" height=\"411\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4963\" class=\"wp-caption-text\">Cooarlas Guajuviras. Foto: Vanderlei Dutra\/OT<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por <em><strong>Vanderlei Dutra<\/strong><\/em><br \/>\n@vanderleidutra<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 12 anos, Francisco Enir Lopes iniciou um projeto que mudaria a sua vida e a de centenas de fam\u00edlias. No Guajuviras, na cooperativa de res\u00edduos COOARLAS, ele dedicava parte do seu tempo para dar aulas de m\u00fasica \u00e0s crian\u00e7as da comunidade. Momentos de estudo, disciplina, aten\u00e7\u00e3o e um contato com um mundo que, antes, era visto pela TV por estas crian\u00e7as: o da arte.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, Francisco recebeu refor\u00e7os importantes e ampliou o trabalho: hoje o Projeto Compartilhar recebe a chancela e o apoio, com seminaristas volunt\u00e1rios, da IELB (Igreja Evang\u00e9lica Luterana do Brasil), CEL Paz de Canoas, Capelania da ULBRA, col\u00e9gio Cristo Redentor e Semin\u00e1rio Conc\u00f3rdia, e atende quatro cooperativas de res\u00edduos (COPCAMAT, COPERMAG, COOARLAS e Renascer) e tr\u00eas escolas de Ensino Fundamental municipais (Guajuviras, Paulo Freire e Nancy Pansera).<br \/>\nNossa reportagem acompanhou, convidada pela diretora do Sindicato dos Profissionais em Educa\u00e7\u00e3o Municipal de Canoas (Sinprocan) Cristine Strobelt, as aulas em tr\u00eas destes locais, e conta um pouco, a seguir, do que encontrou e a opini\u00e3o de participantes.<\/p>\n<h3>Escola Guajuviras<\/h3>\n<p>Na tarde nublada, duas salas da EMEF Guajuviras estavam agitadas e iluminadas. Cerca de 40 estudantes, pais e professores estavam atentos \u00e0s flautas e aos viol\u00f5es. Em rodas, os alunos prestavam aten\u00e7\u00e3o nos professores de m\u00fasica Andr\u00e9 Felipe Silva e C\u00e1ssio Loose e aos sons dos instrumentos e, nem mesmo a presen\u00e7a de pessoas estranhas com m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas, atrapalhou o desenrolar da aula com cara de ensaio.<br \/>\nN\u00e3o demorou para que se organizasse uma pequena mostra dos dotes da turma, que com facilidade tocou cl\u00e1ssicos da m\u00fasica brasileira. A aten\u00e7\u00e3o aos detalhes e a cobran\u00e7a que cada um se faz \u00e9 de gente grande, contrastando com a pouca idade dos pequenos artistas.<\/p>\n<p>\u00c9 o terceiro ano do projeto na escola, que conta hoje com a ajuda de alunos do Semin\u00e1rio Conc\u00f3rdia e estagi\u00e1rios do curso de Teologia da Ulbra. Segundo a diretora Inara Maria Soares Raupp, o projeto auxilia principalmente no trabalho com crian\u00e7as em situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade. \u201cNormalmente, os participantes s\u00e3o crian\u00e7as cujos pais trabalham o dia inteiro. \u00c9 gritante a modifica\u00e7\u00e3o no comportamento e na sociabilidade entre os alunos. Esse apoio (do projeto) foi muito importante. Alunos que preocupavam em sala de aula hoje n\u00e3o d\u00e3o mais problemas. O projeto cresce, sinal que os alunos est\u00e3o gostando\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cO CPM da escola \u00e9 parceiro e atuante junto ao projeto. As m\u00e3es colaboram, cerca de 10 pela manh\u00e3 e cinco \u00e0 tarde, al\u00e9m do Gr\u00eamio Estudantil e o Conselho Escolar\u201d, relata Inara.<\/p>\n<p>Segundo Fabiene Moreira, m\u00e3e de Maria (11) e Camiele (7), o projeto \u00e9 um sucesso. \u201cEstou adorando. Elas mudaram o comportamento. Uma \u00e9 mais rebelde na escola e est\u00e1 bem melhor. Elas adoram. Por elas, teria todo dia\u201d, diz. Maria, sua filha, conta o que mais gosta: \u201c\u00c9 legal. Gosto de tocar viol\u00e3o e a m\u00fasica que mais gosto \u00e9 \u2018O Senhor \u00e9 meu Pastor\u2019\u201d, fala.<\/p>\n<div id=\"attachment_4966\" style=\"width: 625px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/EMEF-Guajuviras-1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4966\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4966\" src=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/EMEF-Guajuviras-1-1024x683.jpg\" alt=\"EMEF Guajuviras. Foto: Vanderlei Dutra\/OT.\" width=\"615\" height=\"410\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4966\" class=\"wp-caption-text\">EMEF Guajuviras. Foto: Vanderlei Dutra\/OT.<\/p><\/div>\n<h3>Paulo Freire<\/h3>\n<p>Uma escola com cerca de um ano e meio de funcionamento, que atende uma comunidade em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade social, com muitos casos de indisciplina. Este foi o quadro que Francisco encontrou quando come\u00e7ou o trabalho na EMEF Paulo Freire. Lembra que, em uma das primeiras vezes que foi com seminaristas ao local, sa\u00edram assustados, mas lembraram do objetivo do projeto e de suas vidas. \u201cFalamos entre n\u00f3s: se \u00e9 aqui que precisam de n\u00f3s, \u00e9 aqui que precisamos estar\u201d, relembra.<\/p>\n<p>E assim foi. Com o in\u00edcio do projeto e a chegada da nova diretora Elizabete Fettuccia, as coisas foram melhorando. \u201cCom esse jeito dur\u00e3o e, ao mesmo tempo, maternal, ela foi colocando ordem na crian\u00e7ada\u201d, conta, entre risos, Francisco.<br \/>\nA diretora n\u00e3o esconde este seu jeito dur\u00e3o e interrompe algumas vezes a entrevista com algumas frases mais en\u00e9rgicas para interromper uma brincadeira mais forte ou at\u00e9 mesmo um princ\u00edpio de briga. \u201cJ\u00e1 pra sala\u201d, brada ela.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m elogia o projeto: \u201cEsse projeto \u00e9 maravilhoso. A m\u00fasica ajuda muito na alfabetiza\u00e7\u00e3o. Temos muitos casos com desvio de idade-s\u00e9rie, evas\u00e3o e outras coisas, e a m\u00fasica tem ajudado muito at\u00e9 na postura da turma\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u00c9 o que relata tamb\u00e9m a professora da turma, Fernanda Spindler. \u201cA minha turma n\u00e3o tinha disciplina, tinha dificuldade de aprendizagem, n\u00e3o sabiam ler, sentar, \u00e0s vezes nem comer com talheres. Hoje, 80% s\u00e3o alfabetizadas\u201d, conta orgulhosa. Ela ressalta ainda a import\u00e2ncia dos alunos terem o contato com outras figuras masculinas para que possam ter outras refer\u00eancias a seguir. \u201c\u00c9 bom que sejam homens os professores, pois t\u00eam as mesmas linguagens dos alunos e, muitas vezes, eles os t\u00eam como \u00eddolos. Aprendem que n\u00e3o precisam brigar para se destacar ou chamar a aten\u00e7\u00e3o\u201d, salienta.<br \/>\nO sucesso do projeto na escola se resume na fala final da diretora: \u201cPena que n\u00e3o podemos ter mais turmas com o projeto, pois o nosso espa\u00e7o n\u00e3o comporta\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_4968\" style=\"width: 623px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/EMEF-Paulo-Freire-2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4968\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4968\" src=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/EMEF-Paulo-Freire-2-1024x683.jpg\" alt=\"EMEF Paulo Freire. Foto: Vanderlei Dutra\/OT.\" width=\"613\" height=\"409\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4968\" class=\"wp-caption-text\">EMEF Paulo Freire. Foto: Vanderlei Dutra\/OT.<\/p><\/div>\n<h3>COOARLAS<\/h3>\n<p>Saindo da escola Paulo Freire, Francisco nos guia at\u00e9 a Cooperativa de Reciclagem de Lixo Amigas Solid\u00e1rias (Cooarlas). Ainda do lado de fora, escutamos o som das flautas que colore a tranquilidade daquela zona simples, em uma tarde agrad\u00e1vel. Ao entrar no galp\u00e3o, uma cena impactante e bonita: dois jovens recebem aula de viol\u00e3o sentados junto ao lixo compactado e embalado para seguir o destino do reaproveitamento.<\/p>\n<p>Ali, em meio ao lixo que vira sustento para dezenas de fam\u00edlias, alunos e professor dedicam parte de seu tempo na troca de ensinamentos e experi\u00eancias a partir da arte. Quem estaria aprendendo mais, os alunos ou o seminarista? Deixamos a aula seguir seu ritmo bonito, caminhamos pelo galp\u00e3o que tem dezenas de mulheres e apenas um homem trabalhando na triagem dos res\u00edduos que passam em uma grande esteira. Ap\u00f3s, entramos em uma casinha, com sala e cozinha conjugadas.<\/p>\n<p>O ambiente simples estava repleto de vida. Cerca de 15 crian\u00e7as com suas flautas em volta de uma mesa estavam atentas ao professor Mateus, que ensinava leitura de partituras. Ponto importante do projeto. Em todas as aulas que acompanhamos, os alunos estavam seguindo partituras, lendo e interpretando as m\u00fasicas. \u201cSempre trabalhamos a leitura de partitura, para poderem depois participar de orquestras\u201d, relata o professor, lembrando casos de alunos que seguiram o caminho musical.<\/p>\n<p>Francisco chama as crian\u00e7as pelos nomes, pergunta se suas m\u00e3es e pais est\u00e3o bem. Ele nos aponta uma menina e conta que a m\u00e3e dela foi sua aluna, l\u00e1 no in\u00edcio do projeto, ali mesmo naquela cooperativa, no in\u00edcio dos anos 2000. \u201cA m\u00e3e dela participou do projeto, agora a filha mais velha que j\u00e1 est\u00e1 trazendo a irm\u00e3 mais nova\u201d, conta.<\/p>\n<div id=\"attachment_4969\" style=\"width: 625px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Cooarlas-Guajuviras-2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4969\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-4969\" src=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Cooarlas-Guajuviras-2-1024x683.jpg\" alt=\"Cooarlas Guajuviras.  Foto: Vanderlei Dutra\/OT.\" width=\"615\" height=\"410\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4969\" class=\"wp-caption-text\">Cooarlas Guajuviras. Foto: Vanderlei Dutra\/OT.<\/p><\/div>\n<h3>Tio Francisco<\/h3>\n<p>De gestos mais contidos, quase t\u00edmido, Francisco Enir Lopes, respons\u00e1vel pelo projeto, acompanhou as visitas e nunca falou dele, sempre fez quest\u00e3o de valorizar o trabalho das diretoras, dos professores e dos seminaristas, buscou dar voz aos pais e os alunos. Os adultos o respeitam, os pequenos olham com admira\u00e7\u00e3o. Por vezes correm e abra\u00e7am suas pernas e deixam escapar um carinhoso \u201coi, tio!\u201d.<\/p>\n<p>Caminha pelas escolas e pelo galp\u00e3o de reciclagem como se estivesse em casa. Fala com todos, conhece tudo, lembra hist\u00f3rias destes muitos anos de trabalho pelo pr\u00f3ximo.<br \/>\nNota-se, nas fei\u00e7\u00f5es do rosto, a satisfa\u00e7\u00e3o pessoal de ver mudada para melhor a vida de centenas de crian\u00e7as. E quando n\u00e3o est\u00e1 nos apresentando algu\u00e9m, nos ensina tamb\u00e9m: \u201cPrecisamos aprender a caminhar juntos, sem ficar questionando (a vida dos outros). Isto procuro passar para os alunos para que eles passem adiante\u201d. Obrigado, Francisco! Aprendemos muito, tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto leva o mundo das artes a crian\u00e7as em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4963,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25,19,27,22],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4964"}],"collection":[{"href":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4964\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}