{"id":3665,"date":"2016-04-27T16:05:03","date_gmt":"2016-04-27T19:05:03","guid":{"rendered":"http:\/\/otimoneiro.com.br\/?p=3665"},"modified":"2016-04-27T16:05:03","modified_gmt":"2016-04-27T19:05:03","slug":"artigo-nao-eu-nao-quero-privilegios","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/2016\/04\/27\/artigo-nao-eu-nao-quero-privilegios\/","title":{"rendered":"Artigo: N\u00e3o, eu n\u00e3o quero privil\u00e9gios"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/si4.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-3676\" src=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/si4-1024x810.jpg\" alt=\"si\" width=\"489\" height=\"387\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ap\u00f3s muitos meses de calor intenso, eis que surge ent\u00e3o o frio. E mesmo que tenha chegado sem muito alarde, meio t\u00edmido para quem estava acostumado com uma p\u00e1scoa j\u00e1 gelada, j\u00e1 fez mudar o cen\u00e1rio das ruas: as pessoas e suas vestimentas; o cinza no c\u00e9u; um entardecer precoce. Foi neste entardecer de hoje, dia 26, noite em que escrevo estas palavras, que, ao ir ao mercado comprar algumas coisas para fazer o jantar, vi em uma esquina um homem sentado ao ch\u00e3o e coberto por uma manta, pedindo qualquer ajuda. H\u00e1 sempre algu\u00e9m por ali (na volta do mercado), pedindo. Muitas vezes, ignorados, muitas vezes sem sequer serem notados. N\u00e3o por mim.<\/p>\n<p>Segui e n\u00e3o pude evitar o pensamento de que ele iria, provavelmente, dormir na rua. Estava ali, s\u00f3, e sentia, al\u00e9m de fome e sede, o frio. E isso cresceria, logo mais. Eu sabia disso, ele sabia, todos sabiam. Ademais, como se mensura a solid\u00e3o? Fiz minhas compras e retornei. Preparei meu jantar e agora estou quente, sob o edredom. Ao meu lado, h\u00e1 vinho, que me aquece o corpo. Ou\u00e7o m\u00fasica. Mais cedo, eu tomei um banho quente, vesti roupas limpas. Conversei sobre pol\u00edtica. Tomei caf\u00e9. Falei ao telefone com minha fam\u00edlia; sou uma pessoa amada.<\/p>\n<p>E o homem aquele na esquina, o que significa? Um assunto para um artigo beirando ao sensacionalismo? Um artigo bonitinho que indicar\u00e1, em mim, uma sensibilidade t\u00e3o pouco vista \u201cnos dias de hoje\u201d? V\u00e3o perceber que sou especial, que me importo com os outros (a que ponto eu me importo?)&#8230; me render\u00e1 elogios pelas belas frases, e comentar\u00e3o &#8220;como a vida \u00e9 injusta mesmo&#8221;, antes de irem paras suas camas quentes fingindo que se incomodam de verdade com essa situa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a realidade de milhares de pessoas pelo mundo todo? Do resto n\u00e3o sei. A mim n\u00e3o rendeu surpresa o descontentamento por tamanha desigualdade, que eu vejo todos os dias da minha vida n\u00e3o-burguesa; de quem pega \u00f4nibus todos os dias, de quem muitas vezes conta as moedas para pegar o trem; de quem tem uma vida humilde. Nesta noite, me veio a absoluta e inquietante convic\u00e7\u00e3o de que eu n\u00e3o quero ter privil\u00e9gios. N\u00e3o quero passar na frente dos outros nas filas; n\u00e3o quero receber um sal\u00e1rio que me sobre ao ponto que o do outro lhe falte; n\u00e3o quero sorrir enquanto o outro chora; e, definitivamente, n\u00e3o quero sucesso \u00e0s custas da desgra\u00e7a alheia.<\/p>\n<p>Nota da autora: o dinheiro que nos aquece, que nos alimenta, que nos mostra o mundo, que nos protege, nunca chegar\u00e1 \u2018aos p\u00e9s\u2019 do amor que algu\u00e9m pode receber.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ap\u00f3s muitos meses de calor intenso, eis que surge ent\u00e3o o frio. 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