{"id":2779,"date":"2016-02-16T11:12:51","date_gmt":"2016-02-16T13:12:51","guid":{"rendered":"http:\/\/otimoneiro.com.br\/?p=2779"},"modified":"2016-02-16T11:12:51","modified_gmt":"2016-02-16T13:12:51","slug":"opiniao-uma-tarde-de-domingo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/2016\/02\/16\/opiniao-uma-tarde-de-domingo\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Uma tarde de domingo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Zeca16022016.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-2780\" src=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Zeca16022016-1024x810.jpg\" alt=\"Zeca16022016\" width=\"483\" height=\"382\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p style=\"text-align: right;\">Por <em><strong>Jos\u00e9 Carlos Rodriguez<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Na tarde de domingo, estava fazendo Zapping, tentando apaziguar a minha ansiedade. Sempre acontece. \u00c0s vezes os domingos s\u00e3o chatos, s\u00f3 o que salva \u00e9 a companhia da fam\u00edlia ou dos amigos. Eis que encontro, em um canal, um document\u00e1rio chamado \u201cUma noite de 67\u201d. No palco estava a nata da MPB, Chico, Gil, Caetano, Edu Lobo, at\u00e9 o Roberto Carlos estava, sempre com o mesmo penteado (rsrs).<\/p>\n<p>Era 21 de outubro de 1967. No Teatro Paramount, centro de S\u00e3o Paulo, acontecia a final do III Festival de M\u00fasica Popular Brasileira da TV Record. Entrou para a hist\u00f3ria dos festivais, da m\u00fasica popular e da cultura do Brasil, pois \u00e9 naquele momento que o Tropicalismo explode, a MPB racha, Caetano e Gil se tornam \u00eddolos instant\u00e2neos e se confrontam as diversas correntes musicais e pol\u00edticas da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Disputavam o primeiro lugar Chico, com seu Roda Viva, Gil, com seu Domingo no Parque, e Edu Lobo e seu Pontiado. Edu ficou em primeiro, Gil em segundo e subiu ao palco com Os Mutantes, com o baixista Arnaldo Baptista e aquela roupa estranha, uma jovem Rita Lee mais ao fundo ajudando nos vocais e o cabelo estranho \u00e0 L\u00e1 Beatles de Sergio Dias. Emocionante a execu\u00e7\u00e3o de Roda Viva de Chico Buarque. Mas o desfrute de tudo estava nas entrevistas, feitas ali mesmo, antes de entrar no palco, com um teatro lotado, todo mundo girando por ali, um jovem Caetano, Gil, Chico, Sergio Ricardo, Roberto Carlos, dando entrevistas, conversando entre eles. Inexplic\u00e1vel o sentimento na hora em que eles cantam cada um sua m\u00fasica, quanta eleg\u00e2ncia, n\u00e3o s\u00f3 na vestimenta, mas tamb\u00e9m na postura. A plat\u00e9ia era um show aparte.<\/p>\n<p>No mesmo domingo, a primeira not\u00edcia que vejo ao acessar um site de noticias era sobre um show de Jorge Benjor. Um cidad\u00e3o pagou ingresso, sentou na primeira fila s\u00f3 para chamar Benjor de \u201cCriolo sujo\u201d. Em que cabe\u00e7a cabe a mentalidade de algu\u00e9m que paga para avacalhar o artista desse jeito? Como parte dos brasileiros \u00e9 ingrato com seus artistas, xinga no show, xinga na rua. Eu tinha uma professora de teatro que sempre dizia. \u201cMesmo n\u00e3o gostando do espet\u00e1culo, aplauda. Por tr\u00e1s disso houve um trabalho bem intencionado para fazer alguma coisa melhor\u201d. Eu tenho que entender que se voc\u00ea xinga o Pele na rua, voc\u00ea n\u00e3o entende nada de futebol, portanto insultar o Chico Buarque na rua, e para quem n\u00e3o entende nada de m\u00fasica, pagar ingresso para insultar al\u00e9m de burrice e doentio, e mais, perdeu a no\u00e7\u00e3o de identidade. Acredite, gente com Tom Jobim, Jo\u00e3o Gilberto, Hermeto Pascoal, Gonzaga, Elis Regina, Nana Caymmi, Marisa Monte, Alcione e at\u00e9 Teixeirinha e Gildo de Freitas, s\u00f3 por citar alguns, s\u00e3o express\u00f5es da enorme variedade cultural de um pa\u00eds que \u00e9 um continente, que tem um forte apego aos seus regionalismos, mas tudo faz parte do mesmo. E muitos deles sa\u00edram pelo mundo levando essa variedade cultural que e admirada e aplaudida de p\u00e9.<\/p>\n<p>Antes do carnaval, houve uma enxurrada de postagens nas redes sociais, criticando o carnaval, a maior, sen\u00e3o a \u00fanica, express\u00e3o da cultura popular, e o reality show BBB, um programa que s\u00f3 existe por que tem candidatos que querem participar. Quando faltar candidatos, termina. Eu imaginava todo esse pessoal sentado na varanda de suas casas, saboreando um ch\u00e1, lendo livros, ouvindo boa m\u00fasica. As redes sociais acordaram alguns monstros adormecidos em parte da popula\u00e7\u00e3o, o triste \u00e9 que n\u00e3o vamos atr\u00e1s do que realmente interessa que \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o verdadeira e imparcial. Chegaremos a um ponto de odiar nossos artistas s\u00f3 por uma quest\u00e3o pol\u00edtico-ideol\u00f3gica, esquecendo o quanto eles contribu\u00edram para a forma\u00e7\u00e3o cultural e da identidade deste pa\u00eds. Cazuza teve sorte quando ele deu aquela entrevista com a bandeira comunista pendurada na parede. As redes sociais n\u00e3o existiam. \u00a0Se fosse nos dias atuais, imaginem s\u00f3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Carlos Rodriguez Na tarde de domingo, estava fazendo Zapping, tentando apaziguar a minha ansiedade. Sempre acontece. \u00c0s vezes os domingos s\u00e3o chatos, s\u00f3 o que salva \u00e9 a companhia da fam\u00edlia ou dos amigos. 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