{"id":2764,"date":"2016-02-14T19:14:41","date_gmt":"2016-02-14T21:14:41","guid":{"rendered":"http:\/\/otimoneiro.com.br\/?p=2764"},"modified":"2016-02-14T19:14:41","modified_gmt":"2016-02-14T21:14:41","slug":"opiniao-os-defensores-da-moral","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/2016\/02\/14\/opiniao-os-defensores-da-moral\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Os defensores da moral"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/brunao.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-2765\" src=\"http:\/\/otimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/brunao.jpg\" alt=\"brunao\" width=\"751\" height=\"594\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sempre fui do tipo medroso. Na inf\u00e2ncia, temia tudo.<\/p>\n<p>Por conta disso, n\u00e3o entrava em muitas brincadeiras, ficava de fora. Nunca tive o sentimento do \u201cn\u00e3o vai dar em nada\u201d. Quando era menor, acompanhava os amigos que se divertiam em brincadeiras que nunca entendi muito bem.<\/p>\n<p>Quem nunca tocou a campainha de algu\u00e9m, um dia, e depois correu?<\/p>\n<p>Cresci e isso confirmou o que eu achava. Isso incomoda. Hoje \u00e9 a minha campainha que toca e, quando largo tudo e vou olhar, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m l\u00e1.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o punitiva. Ningu\u00e9m deveria ir preso por tocar a campainha e correr. Eu, no entanto, levava comigo o sentimento \u2013 medroso \u2013 de que algo aconteceria comigo e com aqueles pr\u00f3ximos a mim se fizesse isso.<\/p>\n<p>Lembro bem de um dia em espec\u00edfico. O epis\u00f3dio at\u00e9 hoje \u00e9 motivo de chacota. Em uma brincadeira, murchamos pneu de um carro estacionado na rua. Na hora parecia engra\u00e7ado. Talvez at\u00e9 tenha sido. At\u00e9 a hora que o dono desce a lomba correndo e a minha casa foi o destino dos fugitivos mirins. Em casa, escondido, chorava. Achava que o dono do carro chamaria o Conselho Tutelar e, naquele mesmo dia, estaria em uma cela, longe dos meus pais e por l\u00e1 passaria anos. Uma l\u00f3gica interessante, mas n\u00e3o a dos demais. Os amigos riram, ali\u00e1s, continuam rindo.<\/p>\n<p>Hoje, conhecendo o sistema, vejo o motivo pelo qual riam. O conselho tutelar \u00e9 falido. Quando n\u00e3o faltam os agentes, falta estrutura. Quando n\u00e3o falta estrutura administrativa, falta lugar para as crian\u00e7as e fam\u00edlias que precisam de ajuda. Uma conta que n\u00e3o fecha. Uma estrutura de import\u00e2ncia essencial, que serve para a manuten\u00e7\u00e3o da juventude de uma forma civil, mas que n\u00e3o ocorre por n\u00e3o haver independ\u00eancia, por ser, hoje, apenas uma pr\u00e9via das elei\u00e7\u00f5es municipais, que por sinal ocorrem neste ano.<\/p>\n<p>A minha l\u00f3gica era verdadeira. Era como deveria ser em um sistema de perfeito funcionamento. Aquele jovem que erra deve ser corrigido. N\u00e3o com o afastamento dos pais \u2013 a\u00ed eu concordo com a besteira que a juventude n\u00e3o me trazia -, mas com a manuten\u00e7\u00e3o dos valores, do que \u00e9 certo e do que \u00e9 errado.<\/p>\n<p>Certo e errado. Um limite que parece n\u00e3o mais existir. N\u00e3o h\u00e1 proibi\u00e7\u00f5es, apenas consequ\u00eancias. Os legislativos brasileiros acreditam que tudo o que algu\u00e9m faz \u00e9 consequ\u00eancia de algo que aconteceu com ela no passado. Uma conclus\u00e3o, a meu ver, acertada. O erro est\u00e1 no que \u00e9 feito para corrigir o seu futuro. Enquanto o poder p\u00fablico continuar a servir como defensor daqueles que erram, ao inv\u00e9s de tentar corrigi-los, haver\u00e1 sempre mais infratores do que aquele que seguem o correto e, por consequ\u00eancia disso, tamb\u00e9m crescer\u00e1 o n\u00famero de moralizadores, de defensores daquilo que nem eles t\u00eam. A moral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre fui do tipo medroso. 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