{"id":15236,"date":"2020-01-24T15:57:41","date_gmt":"2020-01-24T17:57:41","guid":{"rendered":"https:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/?p=15236"},"modified":"2020-01-24T15:57:41","modified_gmt":"2020-01-24T17:57:41","slug":"tito-guarniere-goebbels-vive","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/2020\/01\/24\/tito-guarniere-goebbels-vive\/","title":{"rendered":"Tito Guarniere: &#8220;Goebbels vive!&#8221;"},"content":{"rendered":"<h6><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-15240\" src=\"https:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/alvim.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"266\" srcset=\"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/alvim.jpg 400w, http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/alvim-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\nTito Guarniere<\/h6>\n<h6><strong>Goebbels vive!<\/strong><\/h6>\n<p>O que anda mal sempre pode ficar pior. Esse epis\u00f3dio do Secret\u00e1rio Especial da Cultura, Roberto Alvim, escancarou a infinita capacidade do governo de dar mancadas, de ofender o senso comum, de causar esc\u00e2ndalos e de consternar at\u00e9 o mais pacato e distra\u00eddo espectador.<\/p>\n<p>De onde, de que canto escuro da Rep\u00fablica, de que fundo da cartola Bolsonaro foi tirar um personagem t\u00e3o destitu\u00eddo de no\u00e7\u00e3o? Ou a no\u00e7\u00e3o era essa mesma, sinistra, de refazer aos poucos, no tr\u00f3pico Sul, tal como um Goebbels redivivo, o rastro de sangue, a grandeza tr\u00e1gica do nacional-socialismo?<\/p>\n<p>Bolsonaro, alertado do discurso de Alvim, feito com ar solene e triunfalista, ambientado em cen\u00e1rio cafona e sombrio \u2013 como no nazismo \u2013 ainda bancou, por algumas horas, a indica\u00e7\u00e3o desastrada. Se Alvim queria ser Goebbels, ent\u00e3o o F\u00fchrer era ele, o presidente. Sentindo o cheiro de queimado, puxou o tapete de Alvim \u2013 um nome singelo, um diminutivo quase infantil para um sujeito t\u00e3o amea\u00e7ador.<\/p>\n<p>Um incidente sem maior consequ\u00eancia, dir\u00e3o jornalistas como Guzzo, Augusto Nunes e Alexandre Garcia, que nunca se cansam de defender o governo. O presidente botou de imediato o patriota no olho na rua: excedeu-se no patriotismo. Foi r\u00e1pido, como era recomend\u00e1vel diante da chiadeira geral, inclusive dos aliados. Mas n\u00e3o elide a responsabilidade de Bolsonaro e do seu governo.<\/p>\n<p>E n\u00e3o s\u00f3 porque \u00e9 da atribui\u00e7\u00e3o do presidente a escolha e nomea\u00e7\u00e3o dos seus principais auxiliares. Por a\u00ed, a culpa j\u00e1 estava em cart\u00f3rio. A ABIN, a Casa Civil n\u00e3o existem para fazer um crivo geral, uma sele\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, que proteja o governo de fiascos da esp\u00e9cie?<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 disso que se trata. Do modo como se comporta o governo, o presidente Bolsonaro \u00e0 frente, \u00e9 mais do que prov\u00e1vel que Alvim tenha sido escolhido exatamente pelo que ele diz, faz e personifica. Alvim \u00e9 da casa, fala o mesmo idioma, usa a mesma linguagem, desfralda as mesmas bandeiras. Por que n\u00e3o nome\u00e1-lo?<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m no governo, no staff presidencial, e menos ainda o presidente, lhe teria advertido, no sentido de que se conduzisse com prud\u00eancia, modera\u00e7\u00e3o e cuidado com o que diz. Foi nomeado e escolhido exatamente pelo que pensava e dizia.<\/p>\n<p>Claro, ningu\u00e9m podia imaginar que Alvim, mesmo pertencendo aos quadros da extrema-direita (\u201cNingu\u00e9m odeia mais a esquerda do que eu\u201d, gabou-se) iria ao ponto de citar Goebbels, em um dos seus mais conhecidos discursos, defendendo uma cultura \u201cheroica\u201d, \u201cnacional\u201d, \u201cimperativa\u201d, e \u201cenvolvente emocionalmente\u201d. \u00c9 poss\u00edvel ser mais nazi do que isso?<\/p>\n<p>Alvim teve o cuidado de n\u00e3o citar nominalmente o ide\u00f3logo da cultura nazista. Talvez lhe tenham \u2013 como ele insinua \u2013 entregue o discurso pronto e ele n\u00e3o tenha notado a colagem, o pl\u00e1gio quase literal de sua fala. Mas \u00e9 daquela forma que ele v\u00ea a cultura, que ele se v\u00ea e se pensa. Ao fundo quase se podem ouvir os acordes dramaticamente densos, grandiloquentes, das obras de Richard Wagner, o compositor do Reich.<\/p>\n<p>De Roberto Alvim o governo est\u00e1 livre. O que o governo n\u00e3o tem como fazer \u00e9 livrar-se de si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p><a href=\"mailto:titoguarniere@hotmail.com\">titoguarniere@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tito Guarniere Goebbels vive! O que anda mal sempre pode ficar pior. Esse epis\u00f3dio do Secret\u00e1rio Especial da Cultura, Roberto Alvim, escancarou a infinita capacidade do governo de dar mancadas, de ofender o senso comum, de causar esc\u00e2ndalos e de consternar at\u00e9 o mais pacato e distra\u00eddo espectador. 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