{"id":13300,"date":"2019-04-18T08:00:43","date_gmt":"2019-04-18T11:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/?p=13300"},"modified":"2019-04-17T18:39:38","modified_gmt":"2019-04-17T21:39:38","slug":"tito-guarniere-na-relacao-entre-patrao-e-empregado-quem-e-o-rei","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/index.php\/2019\/04\/18\/tito-guarniere-na-relacao-entre-patrao-e-empregado-quem-e-o-rei\/","title":{"rendered":"Tito Guarniere: &#8220;Na rela\u00e7\u00e3o entre patr\u00e3o e empregado, quem \u00e9 o &#8216;rei&#8217;\u201d?"},"content":{"rendered":"<h6><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-13302 size-full\" src=\"https:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/concorrente.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"229\" srcset=\"http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/concorrente.jpg 400w, http:\/\/hom.jornaltimoneiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/concorrente-300x172.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><br \/>\nTito Guarniere<\/h6>\n<h6><strong>O CLIENTE. A CONCORR\u00caNCIA<\/strong><\/h6>\n<p>S\u00e3o sempre bem-vindas abordagens originais, argumentos que subvertem os fundamentos comuns e sugerem uma nova leitura dos fen\u00f4menos que nos cercam.<\/p>\n<p>O consultor empresarial F\u00e1bio Jacques, por exemplo, em artigo publicado no site do jornalista Pol\u00edbio Braga, faz uma interessante pondera\u00e7\u00e3o sobre quem \u00e9 o cliente na rela\u00e7\u00e3o entre o patr\u00e3o e o empregado.<\/p>\n<p>\u00c9 do senso comum dizer que &#8220;o cliente sempre tem raz\u00e3o&#8221;. As empresas, os fornecedores de bens e servi\u00e7os seguem a filosofia de que o cliente \u00e9 o ator principal, o destinat\u00e1rio do neg\u00f3cio, da transa\u00e7\u00e3o comercial, a parte superior, a que deve ser satisfeita a todo o custo. \u201cO cliente \u00e9 o rei\u201d, se diz de outra maneira.<\/p>\n<p>Os clientes, de sua vez, nada t\u00eam a reclamar desse protagonismo, que \u00e9 do interesse genu\u00edno das boas empresas, e ao mesmo tempo, uma bandeira de propaganda e bem servir: certamente eles ganham quando o lema se faz real e verdadeiro.<\/p>\n<p>Mas e quando se trata da rela\u00e7\u00e3o de patr\u00e3o e empregado, quem \u00e9 o fornecedor, quem \u00e9 o cliente? Quem \u00e9 o \u201crei\u201d? Jacques nota que, no caso, a situa\u00e7\u00e3o se inverte. N\u00e3o h\u00e1 a menor d\u00favida que o fornecedor (do servi\u00e7o) \u00e9 o empregado, e portanto cliente \u00e9 a empresa. Mas no Brasil, o &#8220;rei&#8221;, os sujeitos de todos os direitos, de (quase) todas as decis\u00f5es da Justi\u00e7a do Trabalho, \u00e9 o empregado. O empregador j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o merecedor de todas as defer\u00eancias, como os demais clientes, mas visto como \u201cum tirano\u201d, explora e maltrata o seu empregado. As obriga\u00e7\u00f5es, as responsabilidades pela execu\u00e7\u00e3o pontual e qualificada dos servi\u00e7os, neste caso, n\u00e3o pertencem ao \u00e2mbito dos fornecedores, e se transferem para o cliente.<\/p>\n<p>J\u00e1 Antony Sammeroff, autor de livros de economia, assinala que \u00e9 comum pensar o capitalismo como um sistema darwinista de competi\u00e7\u00e3o, em que os mais fracos sucumbem e ficam para tr\u00e1s, e em que s\u00f3 os mais fortes sobrevivem. A ele se op\u00f5e o socialismo, um sistema que tende \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o entre os homens.<\/p>\n<p>Para ele, a concorr\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um defeito, ao contr\u00e1rio: ela tende a melhorar a qualidade dos bens e servi\u00e7os e a torn\u00e1-los mais baratos. Mas n\u00e3o \u00e9 isso que caracteriza o capitalismo.<\/p>\n<p>O autor faz uma observa\u00e7\u00e3o aguda: se a concorr\u00eancia \u00e9 um mal, um desvio, um defeito, ent\u00e3o a primeira coisa que se precisa abolir \u00e9 a democracia. A elei\u00e7\u00e3o dos governantes \u00e9 um campo acirrado e feroz \u2013 e indispens\u00e1vel \u2013 de competi\u00e7\u00e3o entre partidos, candidatos, grupos de press\u00e3o e corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para ele \u00e9 ilus\u00f3rio achar que no sistema socialista n\u00e3o h\u00e1 concorr\u00eancia. Como observa,\u00a0no socialismo real\u00a0acompeti\u00e7\u00e3o entre os\u00a0v\u00e1rios grupos se resolve pelo silenciamento dos oponentes, quando n\u00e3o pela sua elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n<p>E mesmo no cotidiano dos regimes socialistas h\u00e1 uma competi\u00e7\u00e3o permanente, incontorn\u00e1vel, de quem ocupar\u00e1 os postos mais elevados, e de quem ir\u00e1 lavar os vasos sanit\u00e1rios e varrer as ruas.<\/p>\n<p>Para o autor, o capitalismo \u00e9 menos o sistema darwinista de competi\u00e7\u00e3o, do que um sistema de trocas volunt\u00e1rias, muito mais aberto e favor\u00e1vel aos seus agentes e atores, pela amplitude das ofertas, as quais n\u00e3o derivam de um \u00fanico fornecedor de bens e servi\u00e7os, o Estado.<\/p>\n<p><a href=\"mailto:titoguarniere@terra.com.br\">titoguarniere@terra.com.br<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tito Guarniere O CLIENTE. 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