Comunidade
Presente grego: A reforma de R$ 1,94 milhão
Largo da Praça da Bandeira, inaugurado em agosto, já apresenta problemas pela segunda vez
No dia 14 de dezembro de 2015 a obra do Calçadão de Canoas foi entregue pelo Prefeito Jairo Jorge (PT). Segundo a atual administração, é a obra de número 600 da Prefeitura. Foram aproximadamente 16 mil pedras de basalto, que significa 2.790 metros quadrados de pavimentação, 70 mil pedras portuguesas. Sete postes e 21 luminárias (três em cada poste), dois totens de identificação, um bebedouro, 18 lixeiras, uma floreira e cinco canteiros de flores, duas bancas (uma de revista e outra para venda de flores naturais), assentos nos canteiros. No projeto tudo muito bonito, mas o que foi entregue a população, nem tanto.
Muitas foram as reclamações que chegaram até a redação de O Timoneiro sobre o novo Calçadão. Uma equipe foi visitar o espaço e contatou que o mesmo possui muitos fios em alguns poucos postes; placas de sinalizações “corrigidas” em sinalizações erradas; cobertura do acesso à estação que foi pichada, borrada e não limpa; lixos abertos, sem sacolas, servindo de hospedagem a abelhas; tampas sobre o piso tátil, dificultando a passagem de deficientes visuais; placas de sinalização em local inapropriado e depredada; falta de parafusos nos novos postes de luz; bebedouro de água fora de funcionamento; entre outros problemas.
Desde 1974
A rua Tiradentes, que outrora se chamava João Pessoa, tornou-se Calçadão em 24 de julho de 1974, durante o mandato do prefeito nomeado Geraldo Gilberto Ludwig (1973 – 1978). Foi o segundo do Brasil. O calçamento já era de basalto e havia luminárias em formas de globos, bancos de madeira e ferro, algumas coberturas em ferro e fibra de vidro e vasta arborização. Só na década de 80 a passarela da Estação Canoas/La Salle da Trensurb, surgiu dando nova utilidade ao espaço.
Nos anos 90, foram retiradas algumas árvores, as coberturas e substituídos os bancos. De lá para cá, o mesmo só piorava. A atitude do Prefeito Jairo Jorge de arrumar o Calçadão de Ludwig foi comemorada aos quatro cantos do município. O serviço entregue, no entanto, decepcionou.
O Largo da Bandeira
Foi inaugurado no dia 3 de agosto de 2015. Neste a situação é ainda pior. Os dois orelhões não funcionam, um deles está depredado; luzes no chão foram retiradas, sobrando apenas os buracos; o mesmo ocorreu com as caixas em frente aos postes, todas sem as tampas; as muretas que receberam um reforço continuam caindo, soltas ou com a ponta já gasta e com o ferro aparente; os novos bancos-canteiros, com pontas fora de nível que podem causas acidentes; lixeiras quebradas; entre outros. Em visita ao local, O Timoneiro observou que a empresa Echopolis Construtora, com estrutura física no Largo, possuía em seu pátio diversos destes pilares que caíram, entre outros materiais.
O que diz a Prefeitura
A Prefeitura de Canoas esclareceu que “os problemas levantados pelo veículo decorrem, na sua maioria, da ação de pessoas que desrespeitam o espaço público, seja por puro vandalismo ou por furto. A Prefeitura lamenta estas atitudes, que danificam este espaço coletivo revitalizado e recém entregue aos canoenses e solicita a colaboração para que denúncias sobre depredação sejam feitas pelo telefone 0800510-1234”, afirma.
Afirmou ainda que os problemas “já estão sendo providenciados pela Prefeitura, por meio de encaminhamentos às empresas responsáveis, como a concessionária de telefonia para realizar a manutenção dos orelhões, ou a Corsan, para a ligação da rede de abastecimento com a instalação de um medidor de água, ou, ainda a Echopolis, executora do projeto”. A previsão de conclusão da Fase 3 (Praça da Bíblia e passeios da Tiradentes), segundo a Prefeitura, é maio de 2016, conforme previsto no cronograma de obras de revitalização no Centro.
Confira fotos do Calçadão e da Praça da Bandeira:
Comunidade
Sorteio do Minha Casa, Minha Vida contempla 250 famílias. Confira lista.

Foto: Jhennifer Wolleng
Com transmissão ao vivo pela internet, a Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, realizou nesta quarta-feira (16) o sorteio do programa Minha Casa, Minha Vida. No auditório Sady Schivitz, na sede da Prefeitura, foram contempladas 250 famílias, que irão morar nos Residenciais Pistoia e Santa Fé, no bairro Rio Branco. Também foram sorteados os candidatos suplentes.
Os dois complexos habitacionais estão em fase de construção, com previsão de entrega dos imóveis para setembro deste ano. Antes de ocupar o imóvel em definitivo, os contemplados passarão pelo processo de análise documental na Caixa Econômica Federal e pelo trabalho técnico-social da Prefeitura, que promove um processo de adaptação das famílias à nova moradia.
Confira aqui a lista dos sorteados
Ao todo, os Residenciais Pistoia e Santa Fé oferecem 500 unidades habitacionais. A outra metade das famílias que irá morar no local será reassentada, já que ocupavam anteriormente invasões que foram alvo de reintegração de posse pelo município.
Nesta quarta-feira, participaram do sorteio os cidadãos que realizaram o recadastramento. Enquadram-se nos critérios nacionais famílias residentes em áreas de risco, insalubres ou que tenham sido desabrigadas, comprovado por declaração do ente público; famílias com mulheres responsáveis pela unidade familiar, comprovado por autodeclaração; e famílias das quais faça(m) parte pessoa(s) com deficiência, comprovado com a apresentação de atestado médico.
Comunidade
Assembleia de Deus comemora 80 anos de fundação em Canoas
A igreja Assembleia de Deus, de Canoas, comemora uma marco importante na cidade. O Jubileu de Carvalho da entidade ocorre nesta sexta-feira, 18 de agosto, e terá programação intensa de comemorações. O pastor Edegar Machado, líder da igreja no município há mais de 30 anos, recebeu a reportagem de O Timoneiro para falar acerca da programação das celebrações e sobre a atuação na cidade.
Tamanho
A importância da Assembleia de Deus, de Canoas, é contada também em números. A instituição, de acordo com Edegar, abrange atualmente 16 mil membros e conta com 88 igrejas na cidade. “A igreja se expandiu através do trabalho missionário e atua em diversos ponto do mundo”, conta Edegar.
Visão Social
O pastor destaca a visão social da instituição: “Não temos somente o trabalho espiritual, mas cuidamos do lado social. Eu considero isso como a outra mão da igreja. Nós temos o lado humano, que é alcançar as pessoas em suas necessidades”, comenta. O trabalho realizado abrange especialmente o cuidado de crianças. Edegar ainda citou projetos como escolas artesanais, que ajudam no desenvolvimento de trabalhos comunitários, além de postos de distribuição de sopa vinculados à Associação Beneficente Lar Esperança de Canoas , onde são atendidas cerca de mil crianças por semana.
Programação
A igreja promove cultos de celebração na sexta-feira, 19, até domingo, 20, no templo central da Assembleia de Deus, no bairro Mathias Velho. No domingo, a partir das 9 horas, ocorre concentração na praça Antonio Beló, na Rua Dr. Barcelos, onde será inaugurado um monumento em homenagem aos 80 anos da igreja. Após, são esperadas quatro mil pessoas para uma caminhada até o templo central da instituição, onde ocorrerá culto de graças.
História
Por determinação do pastorado da Igreja em Porto Alegre, o evangelista Amaro dos Santos foi designado, em 1937, para cuidar do trabalho da instituição em Canoas. Os primeiros cultos ocorreram no bairro Niterói. Ficou marcado na história da igreja um grande culto, realizado junto a uma figueira localizada nas proximidades da casa de André Lemos, em 18 de agosto de 1937. O local permanece com a figueira até hoje e, por conta disso, foi escolhido como local para a homenagem aos 80 anos da instituição.
Comunidade
Canoense tem 94 anos de futebol, mídia, direção e simplicidade
Marcelo Grisa
Hélio Ferreira da Silva nasceu em 1º de outubro de 1923. Filho de empregados na fazenda do estancieiro Victor Barreto, o motorista aposentado viu a história do século XX como poucos canoenses puderam. Hélio hoje mora com os sobrinhos Júlio Ragazzon e Raquel Araújo. E esta é sua história.
O futebol e a guerra
No começo de 1932, Hélio observava o nascimento do Sport Club Oriente, um dos mais tradicionais de Canoas. Alguns anos depois, jogou no time e virou craque. Como atacante central, marcava muitos gols.
A incipiente trajetória de Hélio Ferreira no futebol incluiu passagens pelo Canoense e até mesmo no Grêmio. Entretanto, uma grave lesão o afastou em definitivo dos gramados. Uma “pisada” deixou como lembrança um esmagamento logo acima do joelho. “Eu até poderia jogar, mas nunca mais fui. Deu muito medo”, explica.
“Às vezes eu ainda sonho com as mulheres da arquibancada me chamando. Parece que me vejo jogando de novo”, admite. Mas a vida ainda tinha reservado muito mais para o canoense de fala fácil e sorriso alegre.
Nesta época, o canoense já estava na Aeronáutica. Começava a Segunda Guerra Mundial, e todos no quartel ficavam de prontidão, recebendo apenas um dia de folga por semana. “Eu ficava em casa de farda. Se a sirene tocasse, tínhamos meia hora para nos apresentar”, lembra.
Hélio Ferreira da Silva, entretanto, nunca veria os fronts da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália. Há poucos dias de ser embarcado para o campo de batalha, chegava o mês setembro de 1945. A guerra acaba.
Hélio “Caldas” e Ernesto Geisel
Mesmo antes, durante e depois da guerra, a vivência nas Forças Armadas proporcionou o que seria uma de suas maiores paixões: os carros. Depois de sete anos, saiu da Aeronáutica e tornou-se motorista particular. Acabou por trabalhar 40 anos de sua vida para a Companhia Jornalística Caldas Júnior, dona do jornal Correio do Povo, como motorista da família de Breno Caldas. Por muito tempo, sua família morou na propriedade da família Caldas no bairro Belém Novo, em Porto Alegre.
Recentemente, Hélio visitou os netos de Breno, que o chamaram de “Hélio Caldas”, tamanha fora sua contribuição para a família.
Mas as mais histórias das quais Hélio mais se lembra são aquelas que envolviam os governos da ditadura militar. Primeiro, quando o golpe era dado, em 1º de abril de 1964, Breno Caldas pediu ao motorista que buscasse suas filhas na Rua Coronel Bordini, no bairro Auxiliadora, e as trouxesse ao Belém Novo. Recebeu uma arma, e deveria impedir, depois de todos em casa, que qualquer um entrasse na propriedade. Tendo que lidar com militares às portas do terreno, Hélio deixou-os entrar, mas cuidou cada movimento deles. Depois de uma medição no terreno – o que acontecia no local com frequência – eles foram embora sem maiores percalços.
Em outra oportunidade, em razão do aniversário de Breno Caldas, o presidente Ernesto Geisel, também gaúcho, veio até a fazenda para parabenizá-lo. Hélio teve que esconder um papagaio, que era ilegal, da vista do mandatário. Como um dos genros do patrão acabou por entregar a existência da ave, Geisel exigiu vê-la.
O que se sucedeu, entretanto, tranquilizou a todos. Ao ver o papagaio, que havia sido ensinado a falar muitos palavrões, o presidente desatou-se a rir mesmo sendo xingado pelo bicho.
Cuidado com o caminhão
Ao aposentar-se, Breno Caldas queria que Hélio continuasse trabalhando para ele, mesmo que não mais tendo carteira assinada por sua companhia. Não era bem sua ideia: eram os anos finais da Caldas Júnior antes de sua venda, e o motorista tinha o sonho de ter um caminhão e trabalhar com entregas.
Acabou recebendo a chave de um veículo à sua escolha entre 18 que estavam na garagem da propriedade, escondidos dos credores. “Breno puxou um bolo de chaves do bolso e disse: ‘Escolhe uma. Pode pegar.’ Mais tarde fui lá e escolhi um caminhão.”
Graças à rápida passagem da titularidade dos documentos, Hélio pode ficar com o veículo até poucos anos atrás, quando parou de dirigir. “Não quero me gabar, mas nunca causei nenhum acidente. Com a idade, preferi pedir para o Júlio aqui me levar nos lugares. Não é agora que eu vou ter um solavanco e acabar machucando alguém”, preocupa-se.
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