Comunidade
La Salle Canoas de olho na excelência
Marcelo Griza
O Colégio La Salle Canoas tem uma história centenária, como o próprio O Timoneiro demonstrou em reportagem especial no mês de abril, e continua atuando na educação de crianças, jovens e adultos em direção a uma formação de excelência. A sua estrutura de Ensinos Infantil, Fundamental e Médio sofreu profundas transformações para se adequar ao novo cenário da Educação no Brasil.
Revitalização
Até o ano de 2000, o colégio tinha amplo ingresso de alunos – eram 1876 naquele ano, de acordo com dados do próprio LaSalle Canoas. Entretanto, as constantes mudanças, com um aparente foco da instituição no Unilasalle, gradualmente fizeram com que parte da comunidade canoense se afastasse da escola, com medo de que ela fosse encerrar suas atividades. “Em dado momento dessa primeira década do século XXI, não haviam separações entre os espaços dos alunos de diferentes níveis. Essa abertura também tirava um pouco da segurança dos pais, o que era compreensível”, conta a diretora Maria Elisa. O auge da crise interna ocorreu em 2009, quando haviam somente cerca de 800 alunos entre os três níveis de matrícula.
A partir de 2010, contudo, a escola decidiu repensar suas práticas e comunicação para reverter o quadro. O primeiro passo foi a entrega, nesse ano, de um novo prédio dedicado ao atendimento da Educação Infantil na instituição. Mais tarde foram instaladas catracas internas, separando os espaços do colégio, e reposicionando a marca do colégio frente à cidade de Canoas.
O conjunto de medidas surtiu efeito: em 2011, foram 1108 alunos, e o crescimento de cerca de 12% ao ano fez com que, em 2014, se chegasse à marca de 1550 estudantes no LaSalle Canoas. Entretanto, a diretora não deseja que a instituição retorne a números como os dos anos 90, quando ultrapassava a marca de dois mil alunos/ano. “Queremos agora ser referência. Termos excelência de qualidade é essencial. Estamos com filas de espera para algumas séries; a Educação Infantil já não tem mais vagas para 2016”, aponta a diretora. Além disso, 92% das salas hoje encontram-se ocupadas em todos os períodos, com média entre 30 educandos por turma no Ensino Fundamental e 35 no Médio.
Formando pessoas com sucesso
Neste ano, o La Salle Canoas decidiu dar o próximo passo para manter a desejada excelência com seu currículo ampliado, após implementar tecnologias como o Data Show em todas as salas e o uso de livros digitais, eliminando das séries mais adiantadas o uso de conteúdo no quadro negro. No novo currículo, novas atividades nos diferentes estágios de desenvolvimento visam “oferecer mais para o aluno, e sempre de uma forma diferente a cada etapa, para desenvolver competências necessárias e tornar o processo sempre uma novidade”, sublinha a diretora Maria Elisa Medeiros.
São cinco os programas suplementares às disciplinas habituais:
● Escola da Inteligência: Na Educação Infantil e no primeiro ano do Ensino Fundamental, é aplicado o método do pesquisador, médico, professor e escritor Augusto Cury, usado também em várias escolas ao redor do país para estimular o enfrentamento dos medos e o crescimento psicológico;
● Mentes Inovadoras: também chamado de Mind Lab. Uma série de jogos estratégicos é aplicada entre o segundo e o quinto anos do Ensino Fundamental para melhorar a cognição, o raciocínio lógico e as relações interpessoais dos estudantes;
● Robótica LEGO: entre o sexto e o nono anos do EF, há um período por semana de aprendizado com os robôs montáveis, numa parceria do LaSalle com a empresa dinamarquesa;
● Inglês Cambridge: o curso de inglês aplica cinco períodos de aula entre o sexto e o nono anos do EF, em vez dos dois a três habituais, para aprimorar o conhecimento linguístico. Ao final dessa etapa, todos os alunos podem realizar um Exame de Competência, que pode garantir a eles certificação útil para a vida profissional vindoura;
● Programa Juventude Lasallista: todos os alunos de Ensino Médio passarão a prestar três exames simulados relacionados ao ENEM, nos meses de março, junho e outubro, além de receberem extensiva orientação pedagógica e psicológica com o objetivo de estimular a formação de projetos de vida. Neste processo, são inseridos também os professores e familiares, com reuniões, repasse de informações e conteúdo interdisciplinar.
Segundo Maria Elisa, o mais importante (e até agora mais polêmico) dos projetos é a Juventude Lasallista, pois muitos alunos do terceiro ano lamentam que o sistema não foi aplicado a eles em anos anteriores. “A exigência aumentou bastante, mas é justamente com o objetivo de formarmos pessoas com sucesso no futuro que pensamos nesse programa”, explica a diretora. “A escola precisa desafiar o aluno a pensar.”
Comunidade
Sorteio do Minha Casa, Minha Vida contempla 250 famílias. Confira lista.

Foto: Jhennifer Wolleng
Com transmissão ao vivo pela internet, a Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação, realizou nesta quarta-feira (16) o sorteio do programa Minha Casa, Minha Vida. No auditório Sady Schivitz, na sede da Prefeitura, foram contempladas 250 famílias, que irão morar nos Residenciais Pistoia e Santa Fé, no bairro Rio Branco. Também foram sorteados os candidatos suplentes.
Os dois complexos habitacionais estão em fase de construção, com previsão de entrega dos imóveis para setembro deste ano. Antes de ocupar o imóvel em definitivo, os contemplados passarão pelo processo de análise documental na Caixa Econômica Federal e pelo trabalho técnico-social da Prefeitura, que promove um processo de adaptação das famílias à nova moradia.
Confira aqui a lista dos sorteados
Ao todo, os Residenciais Pistoia e Santa Fé oferecem 500 unidades habitacionais. A outra metade das famílias que irá morar no local será reassentada, já que ocupavam anteriormente invasões que foram alvo de reintegração de posse pelo município.
Nesta quarta-feira, participaram do sorteio os cidadãos que realizaram o recadastramento. Enquadram-se nos critérios nacionais famílias residentes em áreas de risco, insalubres ou que tenham sido desabrigadas, comprovado por declaração do ente público; famílias com mulheres responsáveis pela unidade familiar, comprovado por autodeclaração; e famílias das quais faça(m) parte pessoa(s) com deficiência, comprovado com a apresentação de atestado médico.
Comunidade
Assembleia de Deus comemora 80 anos de fundação em Canoas
A igreja Assembleia de Deus, de Canoas, comemora uma marco importante na cidade. O Jubileu de Carvalho da entidade ocorre nesta sexta-feira, 18 de agosto, e terá programação intensa de comemorações. O pastor Edegar Machado, líder da igreja no município há mais de 30 anos, recebeu a reportagem de O Timoneiro para falar acerca da programação das celebrações e sobre a atuação na cidade.
Tamanho
A importância da Assembleia de Deus, de Canoas, é contada também em números. A instituição, de acordo com Edegar, abrange atualmente 16 mil membros e conta com 88 igrejas na cidade. “A igreja se expandiu através do trabalho missionário e atua em diversos ponto do mundo”, conta Edegar.
Visão Social
O pastor destaca a visão social da instituição: “Não temos somente o trabalho espiritual, mas cuidamos do lado social. Eu considero isso como a outra mão da igreja. Nós temos o lado humano, que é alcançar as pessoas em suas necessidades”, comenta. O trabalho realizado abrange especialmente o cuidado de crianças. Edegar ainda citou projetos como escolas artesanais, que ajudam no desenvolvimento de trabalhos comunitários, além de postos de distribuição de sopa vinculados à Associação Beneficente Lar Esperança de Canoas , onde são atendidas cerca de mil crianças por semana.
Programação
A igreja promove cultos de celebração na sexta-feira, 19, até domingo, 20, no templo central da Assembleia de Deus, no bairro Mathias Velho. No domingo, a partir das 9 horas, ocorre concentração na praça Antonio Beló, na Rua Dr. Barcelos, onde será inaugurado um monumento em homenagem aos 80 anos da igreja. Após, são esperadas quatro mil pessoas para uma caminhada até o templo central da instituição, onde ocorrerá culto de graças.
História
Por determinação do pastorado da Igreja em Porto Alegre, o evangelista Amaro dos Santos foi designado, em 1937, para cuidar do trabalho da instituição em Canoas. Os primeiros cultos ocorreram no bairro Niterói. Ficou marcado na história da igreja um grande culto, realizado junto a uma figueira localizada nas proximidades da casa de André Lemos, em 18 de agosto de 1937. O local permanece com a figueira até hoje e, por conta disso, foi escolhido como local para a homenagem aos 80 anos da instituição.
Comunidade
Canoense tem 94 anos de futebol, mídia, direção e simplicidade
Marcelo Grisa
Hélio Ferreira da Silva nasceu em 1º de outubro de 1923. Filho de empregados na fazenda do estancieiro Victor Barreto, o motorista aposentado viu a história do século XX como poucos canoenses puderam. Hélio hoje mora com os sobrinhos Júlio Ragazzon e Raquel Araújo. E esta é sua história.
O futebol e a guerra
No começo de 1932, Hélio observava o nascimento do Sport Club Oriente, um dos mais tradicionais de Canoas. Alguns anos depois, jogou no time e virou craque. Como atacante central, marcava muitos gols.
A incipiente trajetória de Hélio Ferreira no futebol incluiu passagens pelo Canoense e até mesmo no Grêmio. Entretanto, uma grave lesão o afastou em definitivo dos gramados. Uma “pisada” deixou como lembrança um esmagamento logo acima do joelho. “Eu até poderia jogar, mas nunca mais fui. Deu muito medo”, explica.
“Às vezes eu ainda sonho com as mulheres da arquibancada me chamando. Parece que me vejo jogando de novo”, admite. Mas a vida ainda tinha reservado muito mais para o canoense de fala fácil e sorriso alegre.
Nesta época, o canoense já estava na Aeronáutica. Começava a Segunda Guerra Mundial, e todos no quartel ficavam de prontidão, recebendo apenas um dia de folga por semana. “Eu ficava em casa de farda. Se a sirene tocasse, tínhamos meia hora para nos apresentar”, lembra.
Hélio Ferreira da Silva, entretanto, nunca veria os fronts da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália. Há poucos dias de ser embarcado para o campo de batalha, chegava o mês setembro de 1945. A guerra acaba.
Hélio “Caldas” e Ernesto Geisel
Mesmo antes, durante e depois da guerra, a vivência nas Forças Armadas proporcionou o que seria uma de suas maiores paixões: os carros. Depois de sete anos, saiu da Aeronáutica e tornou-se motorista particular. Acabou por trabalhar 40 anos de sua vida para a Companhia Jornalística Caldas Júnior, dona do jornal Correio do Povo, como motorista da família de Breno Caldas. Por muito tempo, sua família morou na propriedade da família Caldas no bairro Belém Novo, em Porto Alegre.
Recentemente, Hélio visitou os netos de Breno, que o chamaram de “Hélio Caldas”, tamanha fora sua contribuição para a família.
Mas as mais histórias das quais Hélio mais se lembra são aquelas que envolviam os governos da ditadura militar. Primeiro, quando o golpe era dado, em 1º de abril de 1964, Breno Caldas pediu ao motorista que buscasse suas filhas na Rua Coronel Bordini, no bairro Auxiliadora, e as trouxesse ao Belém Novo. Recebeu uma arma, e deveria impedir, depois de todos em casa, que qualquer um entrasse na propriedade. Tendo que lidar com militares às portas do terreno, Hélio deixou-os entrar, mas cuidou cada movimento deles. Depois de uma medição no terreno – o que acontecia no local com frequência – eles foram embora sem maiores percalços.
Em outra oportunidade, em razão do aniversário de Breno Caldas, o presidente Ernesto Geisel, também gaúcho, veio até a fazenda para parabenizá-lo. Hélio teve que esconder um papagaio, que era ilegal, da vista do mandatário. Como um dos genros do patrão acabou por entregar a existência da ave, Geisel exigiu vê-la.
O que se sucedeu, entretanto, tranquilizou a todos. Ao ver o papagaio, que havia sido ensinado a falar muitos palavrões, o presidente desatou-se a rir mesmo sendo xingado pelo bicho.
Cuidado com o caminhão
Ao aposentar-se, Breno Caldas queria que Hélio continuasse trabalhando para ele, mesmo que não mais tendo carteira assinada por sua companhia. Não era bem sua ideia: eram os anos finais da Caldas Júnior antes de sua venda, e o motorista tinha o sonho de ter um caminhão e trabalhar com entregas.
Acabou recebendo a chave de um veículo à sua escolha entre 18 que estavam na garagem da propriedade, escondidos dos credores. “Breno puxou um bolo de chaves do bolso e disse: ‘Escolhe uma. Pode pegar.’ Mais tarde fui lá e escolhi um caminhão.”
Graças à rápida passagem da titularidade dos documentos, Hélio pode ficar com o veículo até poucos anos atrás, quando parou de dirigir. “Não quero me gabar, mas nunca causei nenhum acidente. Com a idade, preferi pedir para o Júlio aqui me levar nos lugares. Não é agora que eu vou ter um solavanco e acabar machucando alguém”, preocupa-se.
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